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ENTREVISTADO

Marcello Salvaggio
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Entrevista com
Marcello Salvaggio
Ademir Pascale: Quando e
como surgiu o seu interesse pela literatura?
Marcello Salvaggio: Comecei a me interessar
por literatura por volta da sétima série, por meio
dos livros de Júlio Verne e Emilio Salgari, que
pegava da biblioteca da escola. Como tenho
descendência italiana e leio o idioma fluentemente,
passei por Calvino, Buzzati, Dante, Ariosto e
outros, embora meu primeiro choque literário tenha
sido com Kafka. Dos brasileiros os primeiros a me
interessar foram os poetas, como Cruz e Souza,
Manuel Bandeira, Álvares de Azevedo e Drummond.
Entre os prosadores, depois passei a gostar muito de
Clarice Lispector, Murilo Rubião e Guimarães Rosa.
Asimov, com a saga da Fundação, foi minha primeira
leitura de ficção científica hard, enquanto Moorcock
(com a série de Elric de Melniboné) me marcou mais
do que o próprio Senhor dos Anéis no campo da
fantasia heróica.
Ademir Pascale: No que você se inspira para
criar as suas histórias?
Marcello Salvaggio: Tenho diversas fontes de
inspiração, desde a literatura a jogos, animes,
mangás, hqs, filmes, seriados e obras de mitologia e
ocultismo. Me inspiro também um pouco no dia a dia
(este, por incrível que pareça, rende algumas
situações bastante fantásticas!) e diversas pessoas
que conheço serviram como bases na criação de
personagens. No que diz respeito à mitologia, a que
mais me atrai e influencia na criação de histórias
mesmo que indiretamente, quando não faço referências
diretas, é a indiana. Há algum tempo leio textos
como os Puranas, o Ramayana e trechos do Mahabharata
(inteiro é trabalho de uma vida!), além de livros
teóricos como Filosofias da Índia de Heinrich Zimmer.
Outras mitologias que me atraem são a nórdica, a
judaica, a grega e a japonesa. Em relação ao
ocultismo, gosto dos livros espíritas de J.W.
Rochester e leio com freqüência obras clássicas de
alquimia (Filaleto, Basile Valentim, Flamel, etc) e
estudos a respeito, além dos tratados de magia de
Papus e Eliphas Levi, entre outros, o que constituiu
o embasamento para a magia presente em minhas
histórias. Animes acompanho desde Yu Yu Hakusho e
Cavaleiros do Zodíaco dos tempos da TV Manchete, mas
os que têm me inspirado recentemente são os de cunho
mais adulto, como Berserk e Claymore, assim como
Sandman e Hellblazer no caso das hqs. Os jogos que
me renderam boas inspirações foram os das séries
Zelda e Final Fantasy, Chrono Trigger, Valkyrie
Profile e Xenogears, todos rpgs.
Ademir Pascale: Fale um pouco sobre o seu
romance O Elo, Cap. 1 (Editora Ísis), escrito em
coautoria com Valerio Oddis Jr. Vocês já tem
previsão para o capítulo 2?
Marcello Salvaggio: O processo de criação
deste livro foi bastante curioso. Sempre gostamos
muito de ficção científica e fantasia e gostávamos
de criar histórias enquanto conversávamos ao
telefone. A princípio pensávamos em criar jogos, mas
depois que colocamos as primeiras idéias no papel e
com o incentivo de alguns amigos decidimos escrever
um livro. Foi um longo trabalho, por volta de dez
anos, ao longo do qual fomos trocando idéias e
escrevendo. O livro se passa em um mundo em que a
magia convive, em algumas civilizações deste, com
uma tecnologia alternativa. A base do funcionamento
das máquinas é um minério denominado karman. Os
principais personagens são: Erik Donar, um
mercenário repleto de marcas de batalha, que acaba
por cair nas garras do que parece ser um anjo caído;
Sofia Simurg, uma maga com séculos de idade, que
prolonga sua vida por meios misteriosos; Aido, que
vive em Yamato, um país com base no Japão antigo e
suas lendas; Judas Schlemiel, principal rival de
Sofia, o obscuro reitor de um colégio de magos cujas
concepções foram inspiradas em estudos sobre Thelema,
Alquimia e outros sistemas místicos; e Tirésias, o
sábio vidente cego e andrógino que conhece os
segredos da Trissência, que em nossa saga é o
princípio trino que permite a manifestação dos
universos. Quanto ao segundo livro, está escrito e
esperamos que possa ser publicado o mais breve
possível.
Ademir Pascale: Como está sendo a
receptividade dos leitores com O Elo, Cap. 1?
Marcello Salvaggio: Mesmo que por enquanto
tenha obtido os pareceres de poucos leitores, para
mim já é gratificante que estejam lendo minhas
histórias. E nada é melhor do que ouvir um leitor
perguntar quando sairá a continuação.
Ademir Pascale: O que o leitor poderá
encontrar no romance A Chave da Harmonia, Rachaduras
na Ordem (Editora Protexto)?
Marcello Salvaggio: A Chave da Harmonia
também pertence à saga da Trissência, porém se passa
em outro universo, que seria o nosso, milênios após
os eventos narrados em O Elo. Trabalho neste romance
com alguns conceitos da teosofia, introduzindo elfos,
anões e duendes como espécies humanas de um passado
distante. Junto com eles, estão presentes dragões,
kumaras (seres de Vênus que são praticamente deuses,
vivendo livres entre o mundo físico e o plano
astral, e que por isso podem persistir em um planeta
aparentemente inóspito), gárgulas (uma espécie
ficcional cuja criação devo ao meu amigo Valerio
Oddis, criaturas que se parecem com demônios, mas na
verdade são criações dos kumaras) e os gahinim
(seres que em outros tempos possuíram um grande
império espacial, mas que “caíram” e foram exilados
por forças superiores no plano espiritual da Terra,
alguns destes sim vindo a ser os monstros que
consideramos como senhores do “inferno”). Nesta obra
as personagens femininas possuem um bom destaque, a
começar por uma irmandade de guerreiras, as disiras.
Procurei criar uma civilização coerente, por mais
fantástica que seja, e não há maniqueísmos fáceis,
tanto que mesmo entre os gahinim há indivíduos de
boa índole, ao passo que os elfos são um povo em
transformação, distantes de serem perfeitos. Quem se
interessa por temas tratados no esoterismo, como a
projeção astral, poderá encontrá-los com uma certa
profusão.
Ademir Pascale: Além do blog
www.erikeaido.blogspot.com,
onde os internautas poderão saber mais sobre as suas
últimas notícias e obras?
Marcello Salvaggio: Costumo fazer minha
divulgação também através do meu perfil no orkut: clique
Aqui, e leitores e mesmo outros autores que quiserem
entrar em contato comigo e trocar idéias podem me
escrever à vontade:
marsalvaggio@yahoo.com.br.
Ademir Pascale: A maioria dos escritores
iniciantes e veteranos brasileiros, passam por
diversos obstáculos para conquistarem leitores e
posteriormente uma obra. Como foi a sua jornada até
chegar nas obras impressas?
Marcello Salvaggio: Os primeiros textos que
escrevi foram contos e algumas fanfics que expus em
fóruns de animes, e que até tiveram uma boa
receptividade. Com relação às editoras, fui
selecionado pela Protexto para publicar a Chave da
Harmonia – Livro 1 através do seu Projeto Lume para
novos autores, e a única reclamação que tenho a
fazer é quanto a não ter podido dar qualquer
sugestão a respeito da capa, que reconheço que ficou
pobre. Porém o contrato me proibia de interferir no
projeto gráfico. A Ísis, editora de O Elo – Capítulo
1, possui um bom sistema de distribuição e fez um
excelente trabalho gráfico. O processo de impressão
acabou sendo mais demorado para que o texto se
adequasse à reforma ortográfica. Mas é daí
justamente que tivemos alguns problemas: a revisora
não fez um trabalho tão bom quanto o esperado e
cometeu diversos erros, talvez por pressa,
principalmente no que diz respeito à pontuação.
Infelizmente confiei no trabalho e quando vi o livro
já estava impresso com estes erros. Devo dizer que
só o que falta à Ísis são bons revisores, ou que
estes sejam mais exigidos. O colega Rafael G.Lima,
que também vai publicar pela Ísis o romance Aura de
Asíris, enfrentou um problema semelhante. Não tive
problemas quanto à revisão de A Chave da Harmonia –
Livro 1 porque a editora me deu a liberdade para
contratar um revisor de confiança, e este foi meu
amigo Saint-Clair, também escritor.
Ademir Pascale: Você acha que o leitor
brasileiro sofre influência do cinema, diferente de
outros países que estão mais adeptos à leitura?
Marcello Salvaggio: Sim, talvez por isso
muitos prefiram uma narrativa mais rápida,
privilegiando um foco semelhante aos dos filmes de
ação e aventura. Porém acho que o público brasileiro
é maior e mais variado do que se pensa, embora
mal-aproveitado e sub-valorizado, havendo espaço
para diferentes tipos de obras.
Ademir Pascale: Quais dicas daria para os
novos autores?
Marcello Salvaggio: Para que leiam e
pesquisem bastante antes de escrever, principalmente
se têm a intenção de criar um universo ficcional
complexo. Que não tenham preconceitos com relação a
outras culturas e pontos de vista. E que não
desistam de seus sonhos, mesmo se vierem críticas
negativas, pois não existe uma obra perfeita e que
agrade a todos. O importante é ser lido e, quando se
é criticado com razão, buscar corrigir os erros com
humildade, sem nunca perder o prazer de escrever. O
ideal também é escrever com alguma regularidade,
diariamente se possível, mesmo que poucas linhas, e
procurar sites de divulgação como o Cranik.
Ademir Pascale: Existem novos projetos em
pauta?
Marcello Salvaggio: Estou trabalhando há um
ano e meio em uma saga, A Rosa e a Cruz, cujo
primeiro livro disponibilizei virtualmente (www.erikeaido.blogspot.com/2009/09/rosa-e-cruz.html). A trama, com alguns elementos de terror e
história alternativa, se passa em uma realidade em
que ocorreu uma catástrofe global por volta do ano
1000 d.C, aproximadamente de acordo com as crenças
de fim de mundo da época. O tempo passou e no século
XXI a Igreja ainda domina o mundo, e não só o
ocidental, o cristianismo tendo se difundido no
extremo oriente, se bem que com peculiaridades e
sincretismos. O tribunal da Inquisição é forte, o
islamismo praticamente desapareceu, a tecnologia
pouco avançou, com o saber nas mãos de poucos, e
demônios caminham pela Terra, combatidos por
guerreiros conhecidos como cruzados, que teriam o
sangue de Cristo, obtido após a conquista do Santo
Graal, correndo em suas veias. Porém nem tudo é como
parece! A América, neste universo, talvez sequer
exista, pois além do velho mundo há um temido mar
repleto de monstros, o “mar tenebroso”. Bruxas,
alquimistas e magos, além de anjos e outros seres
mágicos, estarão presentes ao longo da série.
Perguntas Rápidas:
Um livro: A Divina Comédia
Um(a) autor(a): Frank Herbert
Um ator ou atriz: Al Pacino
Um filme: 2001, Uma Odisséia no Espaço
Um dia especial: Todos os dias têm seu
encanto, sua magia
Um desejo: Que possa continuar escrevendo, em
paz comigo e com as pessoas
Ademir Pascale: Deseja encerrar a entrevista
com algum comentário?
Marcello Salvaggio: Gostaria de agradecer
pelo espaço e parabenizá-los pelo trabalho de
divulgação de novos autores. Também acho importante
salientar que os novos escritores se unam e
divulguem os trabalhos uns dos outros. Com o gênero
crescendo, todos crescemos, as editoras pouco a
pouco abrindo cada vez mais portas com a conquista
de novos leitores. Um grande abraço a todos!
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